Como apresentar um cão a outro?

Cães são animais extremamente sociáveis, por isso é tão importante para eles estarem na presença de pessoas ou outros bichos. Faz parte da natureza canina!

Todavia, não são todos os cachorros que aceitam a presença de animais desconhecidos, principalmente aqueles que não tiveram uma boa sociabilização na época indicada, ou seja, quando filhotes.

A fase da sociabilização é muito importante para que o animal cresça sem medos, traumas, mais confiante e equilibrado. Se a família possui um filhotinho em casa, o indicado é já apresentá-lo a cães que estão com o protocolo de vacinação e vermifugação em dia, que não apresentem risco ao filhote nessa época, que é quando ele está mais desprotegido.

Essa apresentação pode ser feita na casa do animalzinho ou em outro ambiente seguro e controlado, livre da presença de parasitas (mosquitos, pulgas, carrapatos) e sem a chance de o amigo contrair as viroses caninas (cinomose, parvovirose, raiva, entre outras). Dê preferência a cães tranquilos e que aceitem bem a presença de outros cachorros, para que essa tranquilidade seja sentida pelo filhote.

Agora, se a pessoa já tem um cachorro em casa e está pensando em adquirir um novo pet, alguns procedimentos serão necessários para facilitar a aproximação e evitar problemas ou traumas.

Passo a passo

O primeiro contato entre eles deve sempre ser feito em um ambiente neutro para o cão mais velho, por exemplo, em uma praça, na rua, no pet shop ou no canil que o novo membro está.

Essa aproximação tem que ser gradativa, sem estresse, sem pressa ou ansiedade, ou seja, fazer com que os cães se aproximem no limite de cada um, não forçar a situação, deixar ambos sentirem seus cheiros e trabalhar a associação positiva, que nada mais é do que relacionar esse momento de apresentação a algo prazeroso.

Ao levar o novato para casa, deixe-os, a princípio, separados e só os aproximem quando estiverem sob supervisão. Nessa hora, utilizar petiscos saborosos ou a própria ração para que eles associem a presença de um e de outro com algo muito bom é fundamental.

Caso já haja uma interação, impedir sempre que a brincadeira atinja um nível mais pesado, dessa forma evita-se que eles se assustem ou se irritem com determinados comportamentos.

Outro detalhe para se trabalhar é a troca de cheiros entre os animais. Deixar sempre um pano com o odor trocado onde ambos dormem, na caixinha dos brinquedos e embaixo dos potes de comida ou água, que são pontos estratégicos para os pets se familiarizarem com o cheiro do outro, mais uma vez utilizando associação positiva.

Já a aproximação entre cães adultos pode dar um pouco mais de trabalho, principalmente se o cachorro demonstrar medo ou certo tipo de agressividade com outros animais.

Deve-se evitar situações que os cachorrinhos não consigam suportar. É necessário adaptá-los à presença de animais estranhos e mostrar que eles não oferecem ameaças, como procurar uma distância onde o animal perceba a presença do outro, mas não se incomode. Nessa hora é indicado o uso de reforços positivos (petiscos, brinquedos favoritos, carinhos e elogios) para o animal aceitar bem a presença do seu semelhante.

Aos poucos faça a aproximação, lembrando de fazê-la no tempo do animal, caso ele se altere latindo, babando ou demonstrando nervosismo, volte para o local onde o pet estava tranquilo vendo o outro animal.

Para auxiliar nessa questão, utilize também elementos aversivos, ou seja, broncas (como um barulho mais forte ou um jatinho de água no focinho) no momento que o animal se irritar com a presença do outro. Assim, ao apresentar o mau comportamento, algo desagradável acontecerá. Do contrário, sempre que ele se mantiver calmo, recompense-o.

De início, procure sempre locais com poucos animais. Conforme o cão indique que está tranquilo, busque outros lugares mais movimentados, mas sempre de maneira gradativa.

Seja qual for a aproximação feita entre os animais, a situação precisa estar sob controle e confortável para todos, inclusive para os tutores.

Se a pessoa não obtiver sucesso, procure ajuda de um profissional em comportamento animal. Ele saberá exatamente como trabalhar esses momentos da melhor forma possível.

Por Priscila Furlan, adestradora e franqueada da Cão Cidadão.

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