Problemas cardíacos: como identificar?

Antigamente, o check-up cardiológico nos pets apenas se iniciava a partir dos cinco anos de idade. Recomenda-se, porém, fazer um pouco antes – já é interessante realizá-lo em torno dos 4 anos, pois o número de animais cardiopatas nesta faixa etária tem crescido bastante. O check-up é composto por: RX de tórax, ECG e Ecodopplercardiograma. “Por que três exames?” Apesar dos três exames serem direcionados para o coração, cada um deles avalia algo diferente, por exemplo:

 

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ECG: avalia a atividade elétrica cardíaca e possíveis arritimias. Em alguns casos, o animal não tem um dano estrutural no coração, mas tem arritmia, fazendo com que o coração não bombeie sangue adequadamente para o organismo. Desta forma, o animal pode apresentar uma série de sintomas, tais como a intolerância a exercícios e síncope.

 

Rx: avalia o tamanho global do coração na caixa torácica. Além de avaliar o sistema respiratório – que é intimamente ligado ao sistema cardiovascular. Dessa forma, avalia-se a existência de estreitamentos de traquéia e/ou brônquios e de aumento de câmaras e vasos.

 

Ecodopplercardiograma: avalia a estrutura cardíaca em si (aumento ou diminuição de câmaras cardíacas, degeneração de válvulas, presença de vermes – dirofilaria). Além, também, de avaliar o funcionamento do coração e se ele está conseguindo manter o débito cardíaco adequado.

 

Todavia, caso o animal apresente sinal de arritmias no ECG, é muito importante a realização do HOLTER (exame eletrocardiográfico de 24h), pois este exame apresenta a atividade elétrica do animal no período de 24h. Dessa forma, sendo mais conclusivo, possibilitando um tratamento mais adequado.

 

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Os sinais que podem ser observados são muitos. Dentre eles, podemos citar: tosse, cansaço fácil, indisposição, pele azulada, desmaios, crises convulsivas, dificuldade respiratória, cegueira abrupta, dentre outros. Vale salientar que a tosse é o sintoma mais comum. Ela pode aparecer somente à noite, como também em momentos de estresse (quando o dono chega em casa; vai passear; vai tomar medicação).

 

Quando o animal apresenta quaisquer um desses sintomas, é importante levá-lo ao médico veterinário que o acompanha para que ele avalie se há, de fato, a necessidade de encaminhá-lo a um cardiologista veterinário. Na verdade, todos os animais podem ter problemas cardíacos, sendo eles “de raça” ou “sem raça definida”. No entanto, existem algumas raças que tem uma casuística maior, tais como: poodle, pincher, lhasa apso, shih tzu, buldogue francês e inglês, cocker spaniel , dálmata, rotweiller, por exemplo.

 

Os problemas cardíacos podem ser de origem congênita ou adquirida. Alguns animais nascem predispostos geneticamente a algumas patologias, que só vão se desenvolver se o meio for propício a isso. Dentre os problemas congênitos, a comunicação interatrial é relativamente comum em cães e a interventricular em gatos. A degeneração da válvula mitral – endocardiose – é a “campeã das doenças cardíacas!” e, quando instalada, deve ser monitorada, a fim de evitar maiores prejuízos hemodinâmicos ao animal. Existem outras adquiridas, tais como: endocardite, dirofilariose e hipetrofias (concêntrica e excêntrica). Todas essas doenças causam desequilíbrios hemodinâmicos, que variam de acordo com o grau da doença.

 

Os problemas cardíacos podem ter outras causas. Problemas em outros órgãos podem levar ao aparecimento de cardiopatias, tais como: hepáticos, renais, pulmonares, dentais, pancreáticos e do sistema nervoso. Se você descobrir que seu pet é cardiopata, a primeira coisa a ser feita é ter calma! Existem vários graus de doenças cardíacas, e, por mais que o animal esteja num estágio mais avançado, existe a possibilidade de dar qualidade de vida e sobrevida em parte dos casos. Portanto, ofereça muito amor e cuidado! Além de realizar exames periodicamente a fim de avaliar o quadro para fazer o manejo medicamentoso adequado.

 

Boa parte das doenças cardíacas necessitam de tratamento e acompanhamento para toda vida, assim como acontece com os humanos. Alguns animais conseguem ter uma vida normal, mas isso vai depender diretamente do grau de insuficiência cardíaca. Portanto, apenas o médico veterinário é o mais habilitado para avaliar, pois “cada caso é um caso”.