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Saiba mais sobre a Castração Pediátrica

Essa é uma cirurgia segura, com poucos riscos para os animais submetidos e uma série de vantagens!

Por - 22 de maio de 2016

A esterilização cirúrgica é uma intervenção irreversível que resulta em uma cessação definitiva das funções reprodutivas. A castração é a técnica de escolha contraceptiva para controlar a superpopulação de animais em todo o mundo. Os programas de castração são amplamente aceitos para o controle de natalidade de animais, porém apesar de todos os esforços que vem sendo desenvolvidos para reduzir essa superpopulação, o número de cães e gatos abandonados continua a aumentar.

 

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Na cirurgia de castração, são removidas as gônadas sexuais e fêmeas castradas não são mais susceptíveis a doenças mediadas por hormônios sexuais, como a hiperplasia vaginal e mamária ou doença uterina, que passam a ser inexistentes, além de reduzir os riscos dos tumores mamários, que respondem por 17% do total de todas as neoplasias em gatas. Vale salientar que pelo menos 85% dos tumores mamários em felinos são malignos. Quando a castração é realizada antes do primeiro cio, os riscos de desenvolvimento de tumores mamários caem praticamente a zero. Nos machos, o benefício diz respeito a redução dos riscos do câncer de próstrata.

 

Existem também os benefícios comportamentais. A castração, e a subsequente diminuição dos hormônios esteróides gonadais, foram correlacionados com uma rápida redução dos comportamentos sexualmente dimórficos (aqueles que são apresentados por machos e fêmeas). Os comportamentos sexuais apresentados por machos intactos (que não são castrados), tais como a marcação de território com urina, brigas por território, fugas e comportamento violento, são alguns dos que podemos observar nesses animais e podem ser considerados extremamente indesejáveis. As fêmeas não castradas irão entrar no cio continuamente, além de também cederem a brigas e fugas, especialmente gatas. Portanto, a redução dos comportamentos sexualmente dimórficos após a castração é um benefício poderoso da castração eletiva.

 

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A castração pediátrica, ou gonadectomia pré- puberal, é assim definida quando a esterilização do animal é realizada antes que este atinja a idade reprodutiva. A castração pediátrica ainda é considerada Tabu no Brasil, porém já vem sendo realizada em filhotes de abrigos para animais nos Estados Unidos, há pelo menos 10 anos consecutivos. O objetivo é relocar para lares adotivos apenas aqueles animais que sejam incapazes de reproduzir. Essa técnica mostra-se, portanto, muito importante no controle populacional de animais, pois garante que este animal não chegará a expressar comportamentos sexuais e, definitivamente, não haverá o risco de procriação. Nos países desenvolvidos, os animais que não serão destinados a reprodução são esterilizados antes de entrar em idade reprodutiva, seja ele oriundo de um abrigo de animais ou obtido por contrato de compra com um criador.

 

Quanto às possíveis consequências da castração pediátrica, existem especulações associadas à ocorrência de doenças do trato urinário inferior nos machos, principalmente em gatos, que poderiam ser relacionadas a cirurgia de castração em idade precoce, assim, tal especulação tem deixado muitos profissionais relutantes em aderir a esse procedimento.

 

Contudo, alguns estudos a longo prazo, assim como autores americanos especialistas no quesito castração precoce, defendem que estas condições de doenças do trato urinário devem estar ligadas a inúmeros outros fatores, tais como predisposição genética, obesidade, sexo do animal, frequência na ingestão de líquidos e tipo de dieta, e não pode ser associada somente a idade de castração. Assim como os problemas urinários, a obesidade também seria um problema multifatorial estando mais relacionada com a frequência de alimentação, com o nível de atividade física e com o tipo de dieta que o animal recebe.

 

A cirurgia pediátrica é segura, o risco de hemorragias é mínimo, e a recuperação do filhote é muito mais rápida em comparação aos animais adultos e desde que o profissional envolvido utilize as técnicas adequadas, sempre levando em consideração a fisiologia pediátrica e o estado de saúde do filhote submetido, esta pode e deve ser utilizada sempre que possível. Em vários estudos já realizados, não foram reportados efeitos negativos a curto ou a longo prazo quando comparados animais que foram castrados em idade pediátrica e animais castrados em idade tradicional.

 

SOBRE O COLUNISTA

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Médica veterinária formada pela Ufersa. Possui atualização em clínica médica de felinos. Realizou pesquisas com castração pediátrica em felinos domésticos. Sócia da Pró-Vida Animal clínica veterinária.

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