Meu gato pode conviver bem com meu cachorro?

A rivalidade entre cães e gatos é considerada algo que já nasce com os animais. Na realidade não é verdadeira essa informação, uma vez que os cachorros não são predadores naturais dos gatos. Na natureza não convivem no mesmo ambiente, pois ambos são predadores e essa distância natural aparenta uma hostilidade entre as espécies.

Foto: Arquivo Pessoal da Adestradora Rita Vasconselos

Apesar de muitas diferenças entre eles, é possível manter um relacionamento harmonioso desde que sejam respeitadas as particularidades de cada animal.

Esse processo pode ser de algumas maneiras, ou o cachorro chega na casa em que o gato vive ou o inverso, ou chegando dois novos indivíduos no mesmo momento.

Para apresentar um novo membro à família, é necessário ter muita paciência e supervisão em tempo integral. Nessa hora é bom ter conhecimento da linguagem corporal dos animais e o cachorro saber executar alguns comandos, tais como: senta e fica. Se necessário, contratar um profissional especializado em comportamento animal para ajudar.

Seguindo algumas etapas, é possível fazer a adaptação entre espécies de uma forma agradável e duradoura.

Primeiramente, preparar o ambiente para que eles sintam felizes e seguros no seu lar, com gatificação, verticalização com prateleiras, nichos, lugares seguros e rotas de fuga para o felino e o cantinho do cachorro com caminha, lugar para brincar e relaxar.

As caixas de areia precisam ser alojadas em lugares onde o gato consiga se sentir seguro, sem acesso para o cachorro, para que ele possa fazer suas necessidades fisiológicas de forma confortável.

Os gatos podem querer compartilhar ou deixar o chão para o cachorro, mas como seu mundo pode ser elevado, se eles preferirem, podem conviver juntos, com o felino observando tudo nas alturas.

A maneira mais adequada para apresentar qualquer espécie para um gato é deixando este se afastar se quiser, e no tempo dele, analisar aquele indivíduo, descobrindo sozinho se é seguro ou não ficar por perto. Neste momento, o felino irá verificar como este novo indivíduo se movimenta, se comporta e quais sons e cheiros emite.

Depois dessas providências efetuadas, vem a hora de fazer o ritual de alimentar os pets em ambientes separados por uma porta fechada entre eles. O objetivo é fazer os animais associarem que sempre que são alimentados, eles sentem o cheiro e a presença (mesmo que distante) do outro e comecem a entender essa presença como uma novidade boa.

É necessário respeitar a distância dos potes de comidas começando de longe e sempre manter a distância confortável para os animais, para que eles sintam prazer neste momento e não se sintam obrigados a se alimentar na presença de um indivíduo indesejado.

 Já que eles têm um excelente olfato e conseguem obter muitas informações do outro indivíduo com esse sentido, o próximo passo será a troca de cheiro, que é feita trocando cobertores, caminhas e brinquedos entre eles.

É o momento da troca de locais, ou seja, trazer o cachorro para conhecer o canto do gato e o gato explorar o ambiente do cachorro, mas ainda um sem a presença do outro nos locais.

Se tudo estiver indo bem, está na hora de liberar o acesso visual, no ritual da alimentação, manter um portão de grades ou uma tela de proteção, ou porta entreaberta, para que eles comecem se ver de forma gradual.

Em qualquer etapa caso perceber alguma agitação do cachorro, ou estresse no gato, regredir o treino ao passo anterior.

O próximo passo é deixar sem obstáculos na porta e, se eles se sentirem confortáveis, aumentar a aproximação com os dois no mesmo ambiente.

Ao fazer essa aproximação mantenha o cão SEMPRE com coleira e guia, para a segurança de todos.

Quando perceber que os pets estão brincando e relaxados no mesmo ambiente, pode-se evoluir na aproximação, sempre de forma divertida e calma.

Cães e gatos têm energias diferentes, porém se introduzidos de forma correta, poderão ser amigos para sempre.

Rita Vasconselos

Consultora comportamental e adestradora franqueada da Cão Cidadão

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