O inverno chegou. Será que seu cão sente frio?

Uma dúvida muito frequente entre tutores é: os cães sentem frio ou não? E a resposta é sim. Um pouco diferente dos humanos, mas também são capazes de sentir as diferenças climáticas. Cães e gatos possuem sangue quente e também regulam a temperatura corporal como os humano. Assim, quando a temperatura externa do corpo diminui, tendem a sentir mais frio, devido a não conseguirem se adaptar sozinhos ao clima.

Como os cães apresentam pelagens variadas, espessuras da pele e camada de gordura distintas, a sensação térmica entre eles varia bastante. A gordura corporal é um ótimo isolante térmico, ou seja, cães mais magros tendem a sentir mais frios enquanto que os cães mais gordinhos se mostram mais tolerantes às quedas de temperatura.

Em geral o pelo e, alguns casos, o subpelo também funcionam como isolante e podem proteger o animal de receber ou perder calor.

Pelagens duplas, bem densas e longas estão presentes em cães mais tolerantes às baixas temperaturas. Exemplos de cães que integram este grupo são: Husky, Akita, São Bernardo, Samoieda, Chow Chow, etc.

Raças de cães como Chihuahua, Buldogue Francês, Yorkshire, Cão de Crista Chinês ou Pelado Mexicano são geralmente mais vulneráveis às quedas de temperatura porque são cães que têm pelos mais curtos ou até mesmo não têm pelo.

No Brasil, as mudanças climáticas não são tão bruscas e as estações onde o frio prevalece também não apresentam temperaturas muito baixas. Sendo assim, diversas raças de cães se adequam às regiões com facilidade, porém, sempre é importante observar as características climáticas do local onde o pet irá morar.

Além das características físicas, é recomendável levar em consideração a idade do cãozinho. Filhotes e idosos apresentam maior probabilidade de sentir mais frio, pois não conseguem regular sua temperatura corporal com tanta eficiência e podem sofrer quedas bruscas. Outro ponto a ser mencionado é que cães com saúde debilitada também precisam de mais proteção contra o frio.

Outro fator relevante é que o frio em si não é causador de doenças, mas ao serem expostos às baixas temperaturas, os cães estão sujeitos às doenças sazonais (como a gripe ou pneumonia canina), pois o inverno propicia a baixa da imunidade que pode ser a porta de entrada de vírus e bactérias. Além disso, os mais velhos podem sofrer de artrose (surge a possibilidade de enrijecimento das articulações) e deve-se ter um cuidado extra com a hipotermia, que pode ser fatal.

Como identificar se o cão está com frio?

Para identificar se cães estão sentindo frio, uma das orientações é prestar atenção em alguns sinais, como por exemplo:

– surgimento de corizas, secreções (focinhos e olhos) e espirros;

– tremores corporais ou se chacoalhar (em situações mais severas);

– queda da temperatura corporal. As extremidades como ponta das orelhas, focinhos e coxins (almofadinha das patas) tendem a ficar mais gelados;

– muito tempo deitado ou encolhido;

– dormir mais que o normal, dormir em formato de “bola”;

– letargia (perda de energia para tarefas do dia a dia, como brincar e passear);

– respiração e movimentos mais lentos;

– procura por lugares mais aquecidos para se acomodarem (ex: dentro ou embaixo de móveis);

– choramingos, resmungos ou até latidos sem motivo aparente;

– em alguns casos, rejeição ao alimento e/ou água.

Como proteger o cão do frio?

Abaixo seguem algumas orientações que irão melhorar a condição de vida dos pets em dias mais frios:

– manter os cachorros dentro de casa na maior parte do tempo, longe de correntes de ar e friagens e com opções de banho de sol;

– se o animal viver fora de casa, garantir um local fechado (como uma casinha), ao abrigo do frio e do vento, bem aconchegante, utilizando cobertores e mantas para aquecê-los, além de plásticos e papelões que sirvam como isolante térmico;

– prover uma cama própria para pets, macia e confortável e, se houver necessidade, usar mantas e cobertores para mantê-los aquecidos. Uma dica importante é aquecer os paninhos do seu peludo um pouco antes deles dormirem. Pode-se utilizar ferro de passar roupas;

– utilizar roupinha para pets é uma outra boa opção para ajudar a mantê-los aquecidos (principalmente para cães de pelo curto). Escolher um modelo que os deixe confortáveis e não prenda seus movimentos. Caso eles não estejam acostumados ou estranhem sua utilização, uma dica seria associar o uso da roupa com algo positivo, agradável ao cão (dessensibilização);

evitar passeios nos horários mais frios, para a atividade não se tornar desagradável. Dar preferência aos horários cujas temperaturas estejam mais amenas;

estimular atividades dentro de casa, pois é fundamental que os animais mantenham sua rotina de exercícios. Comandos são uma ótima opção para estimulá-los mental e cognitivamente, além de brincadeiras como pegar bolinha, esconde-esconde e/ou pega-pega. Lembre-se que correr mantém o cão aquecido;

– reduzir o número de banhos mas, se for necessário, utilizar água morna e caprichar na secagem, pois no inverno os pelos demoram mais a secar naturalmente. Uma dica é substituir os banhos tradicionais por banhos a seco;

aumentar o intervalo entre as tosas. Ao manter os pelos mais compridos, os cães tendem a ficar mais aquecidos. Porém, as tosas higiênicas devem ser mantidas e as escovações devem ser mais frequentes, para evitar o aparecimento de nós;

– proporcionar uma alimentação balanceada com ingestão de alimentos mais calóricos, para ajudar a manter a temperatura corporal. Entretanto, isso não significa exagerar, senão os cães podem ganhar muito peso. Uma dica é procurar uma orientação de um veterinário especialista em nutrição para oferecer sugestões corretas ao animal;

vacinação em dia é extremamente fundamental. Cães que estiverem com protocolo de vacina completo, sofrerão menos com as doenças relacionadas ao inverno. Dar uma atenção especial às vacinas contra a gripe.

Atenção redobrada às alterações comportamentais dos pets é a chave para oferecer aos cãezinhos conforto, saúde e bem-estar. Caso apresentem resistência à utilização de alguns acessórios (como casinha ou roupas) ou os tutores queiram orientações para entretê-los de uma forma mais adequada, o indicado seria buscar a ajuda de um educador comportamental canino.

Priscila Furlan

Adestradora da empresa @caocidadao – Adestramento Inteligente em Fortaleza/Ce, método Alexandre Rossi.

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